Michelle como cabo eleitoral compensa ausência de mulher na vice de Flávio, avaliam aliados
Valor Econômico Andrea Jubé e Beatriz Roscoe, Valor original
Nesta antologia: Antes da virada
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Michelle como cabo eleitoral compensa ausência de mulher na vice de Flávio, avaliam aliados
O anúncio do deputado federal Alfredo Gaspar (AL) para a vaga de vice do candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), resultando na chapa puro-sangue do PL, revela a aposta do partido nas pautas da corrupção e da segurança pública, considerados pontos frágeis do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas Gaspar é o vice possível, não o ideal, depois de frustradas as tentativas de aliança com outros partidos. Outra percepção é de que contar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como cabo eleitoral atenuará a impossibilidade de uma vice mulher.
O Valor mostrou, há duas semanas, que na hipótese de chapa pura do PL, um grupo de aliados defendia o nome do senador Marcos Pontes, do PL de São Paulo. O cálculo era de que, além de representar o maior colégio eleitoral do país, todo eleitor do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) vota em Marcos Pontes, mas nem todo eleitor de Tarcísio vota em Flávio. Na visão de quem torcia pelo senador paulista, ele poderia atrair o eleitor conservador que rejeita o bolsonarismo.
Entretanto, segundo fontes do PL, a opção por Alfredo Gaspar reuniu dois atributos estratégicos. Primeiro, tentar ajudar a reduzir a ampla vantagem de Lula sobre Flávio no Nordeste. Segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (5), o presidente concentra 59% das intenções de votos dos nordestinos no 1 turno, contra 20% do adversário do PL. Representante de Alagoas, Gaspar foi o segundo deputado federal mais votado do Estado no pleito de 2022, com mais de 102 mil votos, atrás somente do então presidente da Câmara Arthur Lira (PP), que obteve mais de 219 mil.
Outro ativo de Gaspar é ter sido relator da CPMI do INSS, que lhe confere autoridade para responsabilizar o governo Lula pelas fraudes que lesaram milhões de aposentados e pensionistas da instituição. A corrupção, que havia perdido espaço no debate eleitoral para a segurança pública, ganhou fôlego num cenário em que a situação do primogênito do presidente, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, se complica mais a cada dia.
Em paralelo, lideranças do PL minimizam a ausência de uma mulher como companheira de chapa de Flávio. O principal argumento é de que a reconciliação dele com Michelle o ajudou a recuperar parcela do voto feminino, que havia perdido por ocasião do vídeo em que a ex-primeira-dama o acusou de maltratá-la e de humilhá-la. Foi o que demonstrou a mesma pesquisa Genial/Quaest, segundo a qual 59% do eleitorado considerou positiva a reaproximação entre ambos.
A avaliação de que a paz com Michelle ajudou Flávio junto ao eleitorado feminino partiu do próprio diretor da Quaest, Felipe Nunes, em entrevista à Globonews. Além de Michelle como cabo eleitoral, o candidato do PL também terá a senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) do lado dele na campanha. Vetada pelo partido para ocupar a vaga de vice, Tereza se comprometeu a pedir votos para Flávio na disputa presidencial.
Havia representantes femininas do Nordeste, filiadas ao PL, para ocupar a vice de Flávio, na hipótese de chapa puro-sangue, como a deputada federal Priscila Costa, e a candidata a deputada estadual Mayra Pinheiro, ambas do Ceará. Contudo, a legitimidade para explorar a pauta da corrupção, bem como a da segurança pública reforçaram a opção por Gaspar. Advogado de formação e egresso da carreira do Ministério Público, ele foi secretário de Segurança Pública de Alagoas no governo Renan Filho (MDB). O senador do MDB é ex-ministro dos Transportes, candidato ao governo e aliado de primeira hora de Lula.